Neríade - A Ilha Flutuante

Minha ilha vai além da imaginação. Ela está em todo lugar e, ao mesmo tempo, em lugar nenhum. Sei que eu a criei, mas ela parece existir há muito mais tempo... Faço dela a sede para meus pensamentos nesse pequeno espaço virtual do qual disponho.

Domingo, Maio 3

Paradoxos Sortidos

Caminho sem rumo é busca sem sucesso.
Grito sem voz é pranto opresso.
Monólogo indizível é sonho não compartilhado.
Perfume sem lembrança é cheiro sem cor.
Canto sem suspiro é mergulho com escafandro.

Fazer a diferença não é ser diferente.
Comover é fazer a diferença.

É comum ser diferente.
Ser indiferente é ser comum.

O cinza não é branco, sequer preto.
Se almejo o céu, o alvo mais próximo é o chão.


De procurar encanto somei desencontros.
O encanto que encanta,
com tempo perde o encanto,
e o desencanto desencanta todo o encanto
que, de encanto, não mais encanta.

Domingo, Março 2

A Queda

Imagine a sensação:
Desprender-se de uma nuvem densa, carregada, delicadamente enrijecida com as gélidas partículas de água (suas únicas companheiras de fortuna).

Partir em um mergulho fulminante.
Despencar verti
ginosamente em queda livre.
O ar fica para trás enquanto ondula seus cabelos que se movem como uma bandeira a flamular.
E, enquanto cai, e o chão se aproxima aumentando em proporções assustadoras, você fecha os olhos.
Não quer mais ver.
A colisão é eminente.
Não há mais como evitar.
E então você só escuta o som.
[Queima de fogos]
[Um rojão]
As fagulhas se esp
alham radialmente.
Vértices de uma semi-esfera incandescente.
Mas o som é tudo que resta.
Ele ecoa por um tempo ínfimo: quase infinito.
E tudo se acalma depois, sob um luar dourado e um céu aveludado.



Agradecimentos:
  • À uma conversa de msn bastante inspiradora com o Thiago. (Não me perguntem o tema da conversa. Já não faço idéia. xD)
  • Ao leitor Clark que me lembrou desse entristecido e abandonado blog.

Sexta-feira, Março 23

Notícias assaz perturbadoras

Realiza-se hoje, às dezessete horas, o memorável casamento do Lord *** e a Srta. P***. A cerimônia terá como sede a Catedral de *, e a festa, coroada com a presença dos membros de nossa mais alta sociedade, realizar-se-á na mansão da família da noiva com os comprimentos do Sr. P***, atual prefeito de *.
Prometendo superar as expectativas gerais, foram contratados a louvável Orquestra de * e o encantador coral das Moças Cegas de * para essa celebração, esperada desde a páscoa, período em que foi anunciado o noivado. A decoração, pensada detalhe por detalhe pela Sra. P***, e o menu um tanto quanto exótico selecionado pelo Lord *** pessoalmente, garantem extasiar a todos os convidados.


Diário de *, 21 de agosto de 17**.


Veio a falecer noite passada a Srta. A***, também conhecida como Lady ***, aparentemente de causa desconhecida. O médico da família afirma que o motivo do óbito não foi patológico, mas também aponta que a então paciente vinha passando por sérias complicações nervosas e atualmente já não saía de casa por forte desgosto; do que se deduz que ela sofria de grave depressão.
Não é descartada a hipótese de um infarto fulminante (o que seria um tanto estranho vindo de uma moça tão jovem), mas é mais aceita a conjectura de que a súbita morte foi causada por desilusão amorosa. “A Lady *** morreu de amor!”, afirma Sara, sua criada de quarto, “Ela vinha sofrendo muito com o descaso do amado... Já nem se alimentava direito. Estava muito fraca e debilitada.”
Há também aqueles que afirmem que o motivo foi suicídio e juram ter sido encontrado um vidro de arsênico nos aposentos da jovem.
Controversa ou não a causa da morte, o enterro será realizado esta tarde, às quinze horas, no Cemitério de *. Para os próximos, o corpo está sendo velado na casa da família.

Diário de *, 23 de agosto de 17**.


Quinta-feira, Janeiro 5

Lady Infeliz

Querido Lorde ***,

Há mais de três semanas, escrevi-te e, durante essas intermináveis e dolorosas três semanas que parecem alongar-se infinitamente, sequer me dirigiste a palavra.
O que poderá ter-te ocorrido para impedir-te de escrever-me ao menos algumas singelas frases? Qual o motivo para não te dirigires mais à minha pessoa? Acaso o amor que a pouco juravas ter por mim esvaiu-se? O coração que havias me entregue juntamente com outras tantas juras de amor não me pertence mais?
Por Deus, responda-me! Já não agüento mais sofrer esperando encontrar, em cada olhar e em cada gesto teu, algo que conteste minhas suspeitas. Não sabes o quanto essa espera me dilacera!
Se ainda possuíres uma fração da estima que dizias ter por mim, não hesites em me escrever, pois passo a viver da esperança de encontrar em ti algum sinal que prove que isso tudo não passou de um desvario; algum sinal de que ainda me amas.

Ass.: Lady ***

Quarta-feira, Dezembro 14

Carta ao Lorde

Querido Lorde ***,

Não pretendia escrever-te, ao contrário, queria apenas demonstrar de forma singular tudo o que sinto por tua pessoa, mas me parece tão custoso...
Se eu pudesse, só de olhar em teus olhos, transmitir todos os meus sentimentos, confesso que eu não seria capaz de fitar-te por um instante sequer. Tal denúncia tornar-me-ia uma refém completamente desarmada e inerte em teus braços e, saiba, não costumo consentir tamanha desvantagem.
Entretanto, se dizer que te amo me é tão caro, é-me igualmente um enorme deleite. É trair a mim mesma pensando pura e simplesmente em ti, senhor de minha alma. É atravessar a mais insegura das pontes sonhando alcançar-te. É pular de um enorme precipício esperando encontrar-te ao fim para me arrebatar.
Se, por um acaso, pareço-te distante ou não me faço presente, rogo-te perdão. Não sou uma pessoa de muitos mimos e tua companhia constante pode acostumar-me mal. Bem sabes o quanto nossas despedidas são penosas e, se algum dia a separação for eminente, o senhor é testemunha do quanto sofrerei.
Contudo, quero que saibas que meu coração não possui outro dono senão o senhor e que, a partir do momento em que entraste em minha vida, não vejo outra razão de existir a não ser viver em função de ti.
Peço que não me tomes por uma tola ou jovem apaixonada que, entorpecida pela paixão fulminante dos romances fictícios e cedendo aos desvarios de um sentimento exagerado, ou talvez idealizado, declare todo um amor inexistente, pois sei que esse sentimento é real e que sentes o mesmo por mim.
Espero ver-te o quanto antes para que em meu coração possa cessar esse turbilhão que tua ausência me causa, já que somente envolta em teus braços encontro paz.
Daquela que te ama para todo o sempre,

Lady ***



Antes que alguém questione, a Lady *** é apenas um personagem e o Lorde ***, coitado, nem sei de quem se trata (só espero que seja digno dos sentimentos da pobre lady...).
Ai, ai... O que a leiura de romances faz com uma pessoa...
Aguardem o próximo capítulo! ^_^

Sábado, Novembro 12

Momento de revolta

Por mais que eu tente melhorar,
Acabo cometendo os mesmos erros.
Por mais que eu tente não errar,
Continuo sendo humana.
Por mais que eu tente ser outra pessoa,
Bato de frente comigo mesma
E, ao mesmo tempo em que tenho um desejo imenso de me socar,
Não tenho a mínima vontade de mudar aquilo que sou ou que me tornei.
Que o mundo se exploda!
Ou me aceitem do jeito que sou,
Ou não me aceitem!

Sábado, Setembro 17

O começo

Sabe, essa idéia de fazer um blog veio tão de repente quanto a de escrever meu livro. A diferença é que o livro surgiu por inteiro na minha mente, como se alguém tivesse pensado a história pra mim, já com o blog, eu não tinha muita certeza quanto ao que fazer dele. Daí veio a idéia de interligar as duas coisas.
Quando escrevo, geralmente me desvinculo um pouco da realidade. Vou para outro lugar. E por que não Neríade? Eu poderia chamá-la de uma espécie de “válvula de escape” ou algo do gênero, mas deixo as possíveis interpretações pra quem estiver interessado em interpretar.



Remexendo a tranqueirada no pc, eu achei esse poema que escrevi há alguns anos e pensei que seria legal colocá-lo na inauguração do blog...

Fale com a boca
Fale com as mãos
Fale com os olhos
Fale com o coração

Diga o que quiser
Diga o que vier
Diga o que disser
Diga a verdade

Saiba se expressar
Saiba caminhar
Saiba cair
E se levantar (afinal de contas, do chão não irá passar)

Saiba rir
Saiba chorar
Saiba aplaudir
Saiba ser feliz

Aprenda a amar
E a ser amado
A reconhecer erros
E a superá-los

Use a imaginação
Use a criatividade
Construa um mundo só seu
E voe para qualquer parte

Erre bastante
Aproveite bastante
Há muito o que ver
E o que conhecer

Enxergue o céu
Enxergue a natureza
E tudo o que é belo
À sua volta

Viva momentos
Viva saudades
Viva o presente
Viva a vida.

Poema de autoria de B.Sal – Todos os direitos reservados - copyright ©

Ele não é nenhuma obra prima, mas eu o fiz em uma época em que eu estava meio pra baixo e ele me ajudou um pouco a extravasar...

Um abraço para todos aqueles que passarem por aqui.

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